Guia de Exercícios Pós Alta

Nossa meta, como profissionais, é que nosso paciente desenvolva suas habilidades e conquiste a alta – momento este em que ele deve ter alcançado sua independência.

Mas, na maioria das vezes, não basta apenas conceder a alta do atendimento. É necessário orientar o paciente e os familiares quanto à conduta que deve ser adotada após a conclusão das sessões.

Pensando nisso, elaborei para uma paciente minha – cujo diagnóstico é hemiparesia à direita devido a Acidente Vascular Encefálico – um guia de exercícios para serem realizados em casa, o qual compartilho com vocês na presente postagem.

Os componentes de desempenho defasados na paciente V.M.F. foram:

– Sensibilidade tátil superficial;

– Força muscular;

– Coordenação motora refinada.

Organizei, portanto, o guia de exercícios seguindo esses três tópicos, com pelo menos uma sugestão para cada um. Vamos a eles:

SENSIBILIDADE

Materiais: um pote contendo arroz até a metade e aproximadamente 10 grãos de feijão ou milho.

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Com a visão obstruída, procurar os 10 grãos misturados no arroz com o membro superior afetado.

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FORÇA MUSCULAR

Materiais: massa elástica e exercitador manual

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Utilizar a massa para realizar movimentos lentos de flexão, extensão, adução e abdução dos dedos. Você pode utilizar massas de silicone feitas especialmente para exercícios terapêuticos ou adquirir outra, desde que tenha elasticidade (sugestão: marca SOFT, vende geralmente em papelarias ou armarinhos).

Quantidade de movimentos:  10

Repetições: 2

Flexão – Flexione os dedos, apertando a massa até que a ponta dos dedos encontrem a palma da mão através dela. Flexione o polegar separadamente.

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Extensão – Junte os dedos com o polegar e use a massa para envolvê-los. Lentamente, separe todos os dedos, esticando a massa.

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Adução – Posicione a massa entre cada um dos dedos adjacentes, apertando-a.

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Abdução – Junte os dedos adjacentes e posicione a massa como um anel em torno de dois dedos, separando-os.

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Utilizar o exercitador manual para movimentos de flexão e extensão dos dedos. O exercitador manual foi confeccionado diretamente com a paciente, e vocês podem aprender a confeccionar seguindo o passo a passo do vídeo feito pela colega Ludimila Santos: Clique aqui para assistir o vídeo 🙂

Flexão – Com os elásticos posicionados na face dorsal do punho, flexione os dedos lentamente.

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Extensão – com os elásticos posicionados na face ventral do punho, estenda os dedos lentamente.

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COORDENAÇÃO MOTORA FINA

Sugestões:

– Enfiar miçangas na linha

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– Contornar desenhos

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– Treinar a escrita

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– Alinhavar

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Lembrando, claro, que cada paciente traz suas próprias necessidades, e que este guia foi feito especificamente para as necessidades da Sra. V. M. F.

O momento da alta é uma conquista para muitos: para o paciente, que se esforçou em seguir as terapias, para os familiares que se dispuseram a apoiar, levar, buscar, adquirir materiais e dispositivos necessários, e para o profissional, que aplicou todo o seu conhecimento para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Desejando a todos nós muitos e muitos momentos de alta, me despeço e agradeço a sua visita!

 

Até a próxima!

Quando um Paciente Morre

Como Terapeutas Ocupacionais, e qualquer outro profissional da área da saúde, aprendemos durante a nossa formação que o vínculo criado com o paciente deve ser um vínculo estritamente profissional. Um vínculo TERAPÊUTICO.

No entanto, alguns pacientes permanecem em tratamento durante anos. Entra atividade, sai atividade, e cada vez mais vamos conhecendo as histórias de vida, as dificuldades, as conquistas, as relações, os sentimentos.

Mas sempre chega a hora de dizer adeus.

Quando a despedida ocorre por melhora clínica e o paciente recebe alta, é uma despedida feliz. Uma missão cumprida.

Mas e quando a despedida ocorre porque o nosso paciente foi a óbito?

Acabo de passar por uma perda recentemente, e quando fui procurar por textos sobre o assunto, me surpreendi: não encontrei NADA. Então decidi escrever esta postagem, direcionada a todos que já passaram por isso. E, claro, também aos que não passaram, pois passarão.

Eu trabalho com atendimento domiciliar. O que significa que os pacientes me abrem as portas da sua casa, me permitem uma convivência frequente com seus familiares e seu ambiente. Fazemos parte da rotina um do outro. Cada paciente é de um jeito, cada família é de um jeito, cada casa funciona de uma maneira. E, com o passar do tempo, vamos criando um laço inevitável: a afeição. Passar a visita ao paciente torna-se muito além de um trabalho – torna-se um prazer. E, de repente, a Vida nos tira esse prazer. Para nós, é uma perda tão importante quanto para as outras pessoas.

Segue texto que escrevi em homenagem à Sra. Itália, uma paciente muito querida que se foi neste dia 07/02/2015.

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“A Blusa Inacabada

Nós tricotamos juntas durante muitas tardes.
Suas mãos já experientes, com muitas histórias para tecer nas linhas. As minhas mais lentas, mais verdes, mãos de quem tem muito o que aprender.
Algumas tardes, tricotamos saudades. Uma pátria que ficou para trás. Um marido que se foi cedo demais. O grupo da terceira idade que costumava frequentar.
Tivemos tardes para tricotar azedumes. Remédios que davam reações. Dentadura desconfortável. Dor lombar.
Tricotamos amor. Um casamento feliz. Filhos, netos, bisnetos.
Na nossa blusa tricotada, tecemos momentos compartilhados de alegria. Cafés no fim da tarde. Bolo. Pão. Limonada feita com os limões do quintal. Risadas…
Um ponto, dois pontos, três pontos. Uma receita de macarrão. Laçada. O macarrão que eu tento moldar sai grosso demais. Uma carreira terminando com dois pontos juntos. Agora é só cozinhar e comer.
Finalizo as costas da blusa, inicio a frente.
– Quantos pontos, D. Itália?
– Setenta. Melhor setenta.
Estou quase na metade.
Mas temos um problema: a Senhora se foi, e eu fiquei. Fiquei aqui, com a blusa inacabada, carregada de histórias em cada ponto, lembranças em cada laçada, vivências em cada carreira.
A blusa inacabada está na sacola. E, como todos que ficaram, terei que continuar por conta própria agora.
Foi uma honra tricotar com a Senhora, D. Itália!”

E vocês, T.O.s? Que tal compartilharem suas experiências de luto?

Obrigada pela visita, e até a próxima!

Reabilitando o Membro Superior – Atividade

É grande a demanda de pacientes que chegam ao serviço de Terapia Ocupacional com queixas relacionadas aos Membros Superiores. Por estarem diretamente ligados à funcionalidade, qualquer disfunção em suas estruturas dificulta as atividades mais simples.

A reabilitação em Terapia Ocupacional é feita através de atividades que visam estimular o exercício dos componentes de desempenho afetados. A proposta de atividade que segue tem como objetivo trabalhar a Amplitude Articular do ombro e do cotovelo, além de força muscular e outros aspectos funcionais envolvidos.

Você vai precisar de:

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1-) Cilindros para encaixe, como latinhas de refrigerante vazias, ou qualquer outro formato (blocos lógicos ou outros objetos, considerando sempre o tamanho e o peso de acordo com o que se quer trabalhar no paciente)

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2-) Uma cestinha simples, como as usadas para guardar prendedores de roupa.

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3-) Uma tábua de encaixe, cuja visão frontal é mais ou menos assim. Você pode confeccioná-la em madeira ou até papelão, acrescentando os orifícios de acordo com as formas que serão encaixadas.

O paciente deve ficar posicionado de maneira correta e confortável, de frente para a tábua de encaixe. A cesta contendo os cilindros/formas fica fixada atrás, na altura adequada para que ele alcance sem precisar se virar, trabalhando a articulação do ombro.

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O próximo passo é encaixar o cilindro no orifício correto, desenvolvendo a Amplitude Articular do cotovelo.

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Tal atividade, além dos componentes já citados, também estimula as áreas: sensorial (cinestesia), cognitiva (planejamento, atenção, concentração, associação) e perceptiva (coordenação unilateral, viso-motora, figura-fundo, relação espacial).

Como Terapeutas Ocupacionais, podemos adaptar a atividade de acordo com a demanda do nosso paciente. Um exemplo interessante é utilizar luvas de velcro para pacientes que não fazem preensão, adaptando também as formas e a tábua com velcros. Nos compete a criatividade para tornar tudo acessível ao nosso paciente, de maneira a conseguir trabalhar o necessário.

Obrigada pela visita, e até a próxima!

Vestindo e Despindo a Metade Superior: Como Treinar o Paciente Hemiplégico

O Vestuário é uma Atividade básica de auto-cuidado à qual o Terapeuta Ocupacional se atenta para que o seu paciente seja capaz de realizar de maneira independente. Para tal, é necessário fazer uma avaliação para identificar quais os fatores de desempenho afetados que dificultam tal realização.

Entre os fatores de desempenho, os que mais comumente dificultam o vestuário independente são: coordenação motora global, função bimanual, coordenação motora refinada, atenção, percepção de figura-fundo, baixa visão e déficit de sensibilidade.

Os pacientes hemiplégicos, cuja metade lateral do corpo apresenta dificuldades motoras e sensoriais, compõem uma população que apresenta limitações na realização de seu auto-cuidado. Pensando neles, desenhei um modelo de passo a passo para vestir e despir a metade superior do corpo com uma camiseta comum. Segue:

VESTIR

– O paciente deve estar sentado. O primeiro passo é identificar qual o verso da camiseta, ou seja, a parte que ficará nas costas. Instrua o paciente a apoiar a camiseta nas pernas, posicionada de forma que ele veja o verso dela, com a gola próxima aos joelhos e a barra próxima à cintura.

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– Abrir a barra da camiseta e inserir o membro superior parético/plégico, puxando a camiseta com a outra mão de forma a guiar o MS parético à manga de seu mesmo lado, conforme indica a imagem.

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– Após inserir a mão do lado afetado na manga, puxar a camiseta com a outra mão em direção ao ombro, para vestir todo o membro superior.

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– Inserir o membro superior saudável na outra manga.

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– Guiar a gola da camiseta em direção à cabeça.

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– Após inserir a cabeça na gola, puxar a barra para posicionar a camiseta corretamente.

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DESPIR

– Utilizar a mão saudável para segurar a parte posterior da gola da camiseta.

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– Puxar a gola pela parte posterior em direção à parte anterior, liberando a cabeça.

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– Despir o membro superior afetado.

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– E, por último, despir o membro superior saudável.

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É importante para a Terapia Ocupacional que o paciente seja capacitado para fazer tudo o que precisar e quiser. Espero ter sido útil!

Obrigada pela visita, e até a próxima!

 

 

Prescrevendo Cadeiras de Rodas

Quando um paciente apresenta impossibilidade de utilizar os membros inferiores para locomover-se, é prescrita uma cadeira de rodas para auxiliá-lo a deslocar-se. Se é uma impossibilidade temporária, muitas vezes o usuário opta por alugar uma cadeira de rodas comum, mas quando é uma condição definitiva, devemos pensar numa cadeira personalizada para suas necessidades particulares.

É sempre importante considerar a rotina do nosso paciente, além de suas capacidades (é um paciente capaz de manipular os aros de propulsão de cadeira de rodas ou alguém que precisará do auxílio de terceiros? O paciente possui muitas atividades fora do ambiente domiciliar?), e permitir a sua participação na escolha da cadeira e nas preferências estéticas, uma vez que a cadeira é como uma extensão de seu próprio corpo.

Feito isso, selecionei alguns pontos importantes que devemos observar:

– O eixo da roda traseira, que deve ser alinhado com o eixo do ombro do paciente;

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– A estabilização da pélvis no assento, mantendo-se centralizada;

– A angulação das pernas, em 90 graus no quadril, joelho e tornozelo, com os pés paralelos entre si;

– O posicionamento do tronco, que deve ser ereto e centralizado, com a coluna vertebral seguindo suas curvas fisiológicas;

– O posicionamento da cabeça, ereta e voltada para frente;

– O posicionamento dos membros superiores, paralelos ao tronco e com 90 graus de flexão no cotovelo.

– O acréscimo da tábua de mesa, que facilita atividades de auto cuidado e lúdicas;

– O material do assento, que deve ser resistente e não lacear;

– A profundidade do assento, que deve permitir um espaço de 5cm entre a borda anterior e a fossa poplítea;

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– A largura do assento, que deve ter 4cm a mais da largura do quadril do paciente;

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– O ângulo entre o assento e o encosto, que deve ser entre 80 e 100 graus, dependendo da necessidade do paciente (exemplo: se o membro inferior apresentar hipertonia, o ângulo pode ser menor que 90 graus)

– A altura do encosto, que deve propiciar liberdade de ação em pacientes que apresentem mobilidade de tronco, podendo medir 3cm abaixo do ângulo inferior da escápula (o profissional deve atentar-se para evitar que o encosto fique abaixo da proeminência óssea, evitando úlceras por pressão);

– A altura do apoio dos pés, que deve ser maior do que 5cm, considerando a existência de terrenos irregulares;

– O acréscimo de cintos, correias e faixas que aumentam a segurança, além de posicionar corretamente o corpo na cadeira.

 

Como Terapeutas Ocupacionais, é nossa responsabilidade fornecer o maior conforto e segurança possível ao nosso paciente, além de possibilitar a realização de atividades e inclusão nos mais variados ambientes. Espero que tenham gostado!

Obrigada pela visita, e até a próxima!

Lente McMaster da Terapia Ocupacional

Recentemente, decidi organizar minha estante e comecei a rever meus cadernos da época da faculdade. Entre as anotações de “Fundamentos de Terapia Ocupacional II” (caderno do terceiro ano), me deparei com a representação de um modelo muito interessante: a Lente McMaster de Terapia Ocupacional. Uma vez que procurei na internet e não encontrei nada a respeito, achei que seria interessante disponibilizá-lo aqui.

A Lente McMaster representa a ótica através da qual o Terapeuta Ocupacional enxerga cada paciente. Representada por 8 lentes, ela indica a ordem de prioridades a serem consideradas pelo profissional ao realizar suas avaliações e reavaliações.

Vamos a ela?

1. OCUPAÇÃO

É a primeira lente pela qual o Terapeuta Ocupacional vê o paciente, e o tema central da atuação. Ela considera todas as ações realizadas por ele, ou seja, as atividades de auto-cuidado, cuidado com o ambiente, lazer e produtividade, identificando as limitações apresentadas pelo paciente e suas respectivas causas.

2. ESPIRITUALIDADE

Considera o meio, os valores e os propósitos do paciente. É o significado e a essência da vida de cada um, e busca dar sentido a si próprio e à própria experiência humana. Os Terapeutas Ocupacionais devem oportunizar aos pacientes temas existenciais: sofrimento, culpa, perdão, alegria, liberdade, solidão, entre outros, e identificar quais as necessidades deste paciente, para que também sejam abordadas em tratamento.

3. DESENVOLVIMENTO

Referente à etapa de desenvolvimento que a pessoa se encontra, é de suma importância no processo de terapia, uma vez que cada etapa compreende habilidades diferentes, bem como limitações.

4. P.A.O. (Pessoa, Ambiente, Ocupação)

São três sistemas que, juntos e inter-relacionados, resultam no desempenho ocupacional do paciente. Cada sistema compreende diversos sub-sistemas:

– Pessoa: sentimentos, habilidades físicas/cognitivas

– Ambiente: localização, valores, cultura

– Ocupação: ações, auto-cuidado, lazer, produtividade

5. ENFOQUE TEÓRICO

É a escolha pelo TO de um quadro de referência para o tratamento, podendo ser escolhido mais de um, de acordo com as necessidades.

6. AVALIAÇÃO

A avaliação inicial é essencial. Identificando-se as queixas do próprio paciente, os componentes de desempenho que estão defasados e o prognóstico de acordo com a patologia, o terapeuta tem uma base para iniciar o tratamento e comparar a evolução no momento da reavaliação.

7. TRATAMENTO

O TO desenvolve e complementa um plano de ação que inclui intervenção estratégica e técnicas de tratamento específicas, conduzindo o paciente para atingir os resultados desejados.

8. RESULTADO

Durante a continuidade do tratamento, o monitoramento do progresso é baseado em notas e na avaliação da evolução do desempenho ocupacional.

 

Todo Terapeuta Ocupacional deve sempre utilizar a Lente McMaster para olhar seu paciente durante as avaliações e o próprio tratamento, mensurando os resultados de sua intervenção. Espero que tenham gostado!

Obrigada pela visita, e até a próxima!

 

Desenvolvimento motor e perceptivo – da primeira semana ao primeiro ano de vida

Quando pensamos em Terapia Ocupacional, sabemos que o foco da atuação é a independência cotidiana. Queremos que os nossos pacientes sejam capazes de alimentar-se, vestir-se, locomover-se, comunicar-se e higienizar-se com autonomia, e para isso nós reforçamos todos os componentes de desempenho que estão defasados ou construímos adaptações que facilitem a realização das atividades.

E os pacientes pediátricos?

Quando estamos tratando de bebês, não temos como esperar que eles realizem as Atividades de Vida Diária de forma independente, pois nem o seu estágio de desenvolvimento permite isso. Portanto, a avaliação e atuação da Terapia Ocupacional visa estimular a criança a atingir o potencial e as capacidades esperadas para sua idade.

Um paciente pediátrico chega para a Terapia Ocupacional por apresentar atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Tal atraso pode estar presente por diversos motivos: prematuridade, muito tempo de internação após o nascimento, patologias como Paralisia Cerebral, Síndromes, Autismo, entre outras.

O bebê se desenvolve de acordo com a sua interação com o próprio corpo e com o ambiente que o cerca. Se, por algum motivo, tal interação for comprometida (como o fato da criança ter algum déficit motor ou de ter limitação ambiental devido à internação), ocorre atraso no desenvolvimento típico, e o papel do Terapeuta Ocupacional é encontrar o que está atrasado, por que o atraso está ocorrendo e qual o tipo de estimulação que deve ser feita para que esta criança alcance o padrão.

Baseada na Tabela do Desenvolvimento Motor e Perceptivo da Britta Holle, construí este guia para avaliação do padrão infantil. Espero que gostem!

PRIMEIRA SEMANA DE VIDA

– O bebê não possui controle cervical;

– Todas as articulações mantém-se flexionadas, com as mãos fechadas e presença de movimentos reflexos;

– Movimentos em bloco: quando a cabeça é virada passivamente, o tronco inteiro acompanha;

– Presença de reflexo de apoio e de marcha, ambos sem sustentar o próprio peso;

– Presença do reflexo de Babinski: quando se bate com firmeza na sola do pé, os dedos fazem abdução;

– Presença do reflexo de preensão:  quando se coloca o dedo na palma da mão do bebê, ele o aperta de imediato e com força;

– Presença do reflexo de busca: ao estimular a bochecha, boca ou lábio com o dedo, a cabeça vira em direção ao estímulo, a boca se abre e a língua se projeta;

– Presença do reflexo de sucção: quando se toca suavemente na boca ou no céu da boca do bebê, ele começa a sugar;

– Presença do reflexo de retração:  retração de MMSS e MMII com ruído alto;

– Movimentos oculares descoordenados em todas as direções;

– Reação a sons altos.

SEGUNDA SEMANA

– Em decúbito ventral, apresenta pequena sustentação da cabeça;

– Reação à luz difusa;

– Sucção dos dedos;

– Reação a estímulos de direções definidas (luz, sons).

DE DUAS A SEIS SEMANAS

– Presença do reflexo tônico cervical assimétrico: em decúbito dorsal, se a cabeça do bebê for virada passivamente para o lado direito, MSD e MID se estendem, enquanto MSE e MIE do lado contralateral se flexionam;

– Capacidade de focalizar brevemente os olhos da mãe;

– Produção de sons guturais;

– Reação a sons suaves próximos;

– Presença de 3 a 4 evacuações diárias.

DE SEIS A OITO SEMANAS

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– Inicia coordenação ocular, focalizando objetos e pessoas brevemente;

– Presença de sorriso;

– Reação à voz da mãe.

DE DOIS A TRÊS MESES

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– Início da aquisição de controle cervical, erguendo a cabeça a 45 graus quando colocado em decúbito ventral;

– A mão pode ser aberta passivamente;

– É capaz de pegar objetos que toquem sua mão;

– Acompanha objetos próximos com o olhar;

– Aumento de expressões faciais.

DE TRÊS A QUATRO MESES

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– É capaz de erguer a cabeça a 90 graus quando colocado em decúbito ventral;

– Quando erguida passivamente da posição deitada para sentada, a cabeça se levanta;

– Diminuição do reflexo tônico cervical assimétrico;

– Apoia-se sobre os antebraços, mantendo cotovelos e dedos flexionados;

– Mantém as mãos abertas, produz movimentos simultâneos com as mãos;

– Presença de risos;

– Pode ser alimentado com alimentos pastosos;

– Exploração das próprias mãos;

– É capaz de pegar um objeto pequeno com uma mão;

– Acompanha com o olhar objeto que se desloca em movimento circular;

– Procura alcançar objetos.

DE QUATRO A CINCO MESES

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– Quando mantida na vertical, a criança sustenta parte do peso;

– Manipula objetos com as duas mãos simultaneamente;

– Leva objetos à boca;

– Inicia ingestão de alimentos mais sólidos.

DE CINCO A SEIS MESES

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– Quando em decúbito ventral, apoia-se sobre os braços e as mãos estendidos;

– Rola sozinha de frente para trás;

– Quando mantida na vertical, tenta saltar e mantém-se nas pontas dos dedos;

– Transfere objetos de uma mão para a outra;

– Aumenta exploração do próprio corpo;

– Diminuição dos reflexos de busca e sucção;

– Mantém atenção nas conversas;

– Percebe a própria distância em relação aos objetos.

DE SEIS A SETE MESES

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– Controle cervical;

– Rola sozinha de trás para a frente;

– Bate com os objetos na mesa;

– Demonstra interesse nos objetos;

– Mastigação;

– Sorri para a sua própria imagem no espelho.

DE SETE A OITO MESES

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– Presença do reflexo de pára-quedas: extensão de MMSS quando há perigo de queda;

– Senta por um breve período;

– Sustenta o próprio peso quando colocado na posição ortostática e realiza movimentos de marcha;

– Segura dois objetos ao mesmo tempo;

– Atira objetos no chão, procurando-os após caírem;

– Presença dos primeiros dentes;

– Repetição de sons;

– Coloca os dedos dos pés na boca.

DE OITO A NOVE MESES

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– Posição de cócoras, apoiando-se nos MMSS;

– Controle de tronco em sedestação;

– Presença de preensão em pinça;

– Leva o alimento à boca (biscoitos);

– Compreende uma palavra isolada;

– Estende os braços para ser carregada;

– Encontra objeto escondido debaixo de um pano.

DE NOVE A DEZ MESES

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– Avança para frente em sedestação;

– É capaz de passar da posição deitada (supina) para sentada;

– Permanece na posição ortostática com apoio;

– Reconhece objetos;

– Imita alguns sons;

– Compreende algumas palavras.

DE DEZ A ONZE MESES

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– Permanece sobre os quatro membros na posição de gato;

– Engatinha sobre mãos e joelhos;

– Consegue se transferir da posição sentada para deitada;

– Levanta-se segurando na mobília;

– Primeiros sinais da articulação de palavras.

DE ONZE A DOZE MESES

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– Realiza marcha do urso: sobre mãos e pés;

– Dá alguns passos com apoio;

– Diminuição do reflexo de preensão;

– Compreende e obedece algumas ordens;

– Estende os braços quando está sendo vestida;

– Aponta.

Utilizando este guia, podemos identificar onde estão os atrasos e quais estímulos serão necessários para a criança alcançar o máximo de seu potencial.

Obrigada pela visita, e até a próxima!

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