Desenvolvimento motor e perceptivo – da primeira semana ao primeiro ano de vida

Quando pensamos em Terapia Ocupacional, sabemos que o foco da atuação é a independência cotidiana. Queremos que os nossos pacientes sejam capazes de alimentar-se, vestir-se, locomover-se, comunicar-se e higienizar-se com autonomia, e para isso nós reforçamos todos os componentes de desempenho que estão defasados ou construímos adaptações que facilitem a realização das atividades.

E os pacientes pediátricos?

Quando estamos tratando de bebês, não temos como esperar que eles realizem as Atividades de Vida Diária de forma independente, pois nem o seu estágio de desenvolvimento permite isso. Portanto, a avaliação e atuação da Terapia Ocupacional visa estimular a criança a atingir o potencial e as capacidades esperadas para sua idade.

Um paciente pediátrico chega para a Terapia Ocupacional por apresentar atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Tal atraso pode estar presente por diversos motivos: prematuridade, muito tempo de internação após o nascimento, patologias como Paralisia Cerebral, Síndromes, Autismo, entre outras.

O bebê se desenvolve de acordo com a sua interação com o próprio corpo e com o ambiente que o cerca. Se, por algum motivo, tal interação for comprometida (como o fato da criança ter algum déficit motor ou de ter limitação ambiental devido à internação), ocorre atraso no desenvolvimento típico, e o papel do Terapeuta Ocupacional é encontrar o que está atrasado, por que o atraso está ocorrendo e qual o tipo de estimulação que deve ser feita para que esta criança alcance o padrão.

Baseada na Tabela do Desenvolvimento Motor e Perceptivo da Britta Holle, construí este guia para avaliação do padrão infantil. Espero que gostem!

PRIMEIRA SEMANA DE VIDA

– O bebê não possui controle cervical;

– Todas as articulações mantém-se flexionadas, com as mãos fechadas e presença de movimentos reflexos;

– Movimentos em bloco: quando a cabeça é virada passivamente, o tronco inteiro acompanha;

– Presença de reflexo de apoio e de marcha, ambos sem sustentar o próprio peso;

– Presença do reflexo de Babinski: quando se bate com firmeza na sola do pé, os dedos fazem abdução;

– Presença do reflexo de preensão:  quando se coloca o dedo na palma da mão do bebê, ele o aperta de imediato e com força;

– Presença do reflexo de busca: ao estimular a bochecha, boca ou lábio com o dedo, a cabeça vira em direção ao estímulo, a boca se abre e a língua se projeta;

– Presença do reflexo de sucção: quando se toca suavemente na boca ou no céu da boca do bebê, ele começa a sugar;

– Presença do reflexo de retração:  retração de MMSS e MMII com ruído alto;

– Movimentos oculares descoordenados em todas as direções;

– Reação a sons altos.

SEGUNDA SEMANA

– Em decúbito ventral, apresenta pequena sustentação da cabeça;

– Reação à luz difusa;

– Sucção dos dedos;

– Reação a estímulos de direções definidas (luz, sons).

DE DUAS A SEIS SEMANAS

– Presença do reflexo tônico cervical assimétrico: em decúbito dorsal, se a cabeça do bebê for virada passivamente para o lado direito, MSD e MID se estendem, enquanto MSE e MIE do lado contralateral se flexionam;

– Capacidade de focalizar brevemente os olhos da mãe;

– Produção de sons guturais;

– Reação a sons suaves próximos;

– Presença de 3 a 4 evacuações diárias.

DE SEIS A OITO SEMANAS

4

– Inicia coordenação ocular, focalizando objetos e pessoas brevemente;

– Presença de sorriso;

– Reação à voz da mãe.

DE DOIS A TRÊS MESES

5

– Início da aquisição de controle cervical, erguendo a cabeça a 45 graus quando colocado em decúbito ventral;

– A mão pode ser aberta passivamente;

– É capaz de pegar objetos que toquem sua mão;

– Acompanha objetos próximos com o olhar;

– Aumento de expressões faciais.

DE TRÊS A QUATRO MESES

6

– É capaz de erguer a cabeça a 90 graus quando colocado em decúbito ventral;

– Quando erguida passivamente da posição deitada para sentada, a cabeça se levanta;

– Diminuição do reflexo tônico cervical assimétrico;

– Apoia-se sobre os antebraços, mantendo cotovelos e dedos flexionados;

– Mantém as mãos abertas, produz movimentos simultâneos com as mãos;

– Presença de risos;

– Pode ser alimentado com alimentos pastosos;

– Exploração das próprias mãos;

– É capaz de pegar um objeto pequeno com uma mão;

– Acompanha com o olhar objeto que se desloca em movimento circular;

– Procura alcançar objetos.

DE QUATRO A CINCO MESES

7

– Quando mantida na vertical, a criança sustenta parte do peso;

– Manipula objetos com as duas mãos simultaneamente;

– Leva objetos à boca;

– Inicia ingestão de alimentos mais sólidos.

DE CINCO A SEIS MESES

8

– Quando em decúbito ventral, apoia-se sobre os braços e as mãos estendidos;

– Rola sozinha de frente para trás;

– Quando mantida na vertical, tenta saltar e mantém-se nas pontas dos dedos;

– Transfere objetos de uma mão para a outra;

– Aumenta exploração do próprio corpo;

– Diminuição dos reflexos de busca e sucção;

– Mantém atenção nas conversas;

– Percebe a própria distância em relação aos objetos.

DE SEIS A SETE MESES

9

– Controle cervical;

– Rola sozinha de trás para a frente;

– Bate com os objetos na mesa;

– Demonstra interesse nos objetos;

– Mastigação;

– Sorri para a sua própria imagem no espelho.

DE SETE A OITO MESES

10

– Presença do reflexo de pára-quedas: extensão de MMSS quando há perigo de queda;

– Senta por um breve período;

– Sustenta o próprio peso quando colocado na posição ortostática e realiza movimentos de marcha;

– Segura dois objetos ao mesmo tempo;

– Atira objetos no chão, procurando-os após caírem;

– Presença dos primeiros dentes;

– Repetição de sons;

– Coloca os dedos dos pés na boca.

DE OITO A NOVE MESES

11

– Posição de cócoras, apoiando-se nos MMSS;

– Controle de tronco em sedestação;

– Presença de preensão em pinça;

– Leva o alimento à boca (biscoitos);

– Compreende uma palavra isolada;

– Estende os braços para ser carregada;

– Encontra objeto escondido debaixo de um pano.

DE NOVE A DEZ MESES

12

– Avança para frente em sedestação;

– É capaz de passar da posição deitada (supina) para sentada;

– Permanece na posição ortostática com apoio;

– Reconhece objetos;

– Imita alguns sons;

– Compreende algumas palavras.

DE DEZ A ONZE MESES

13

– Permanece sobre os quatro membros na posição de gato;

– Engatinha sobre mãos e joelhos;

– Consegue se transferir da posição sentada para deitada;

– Levanta-se segurando na mobília;

– Primeiros sinais da articulação de palavras.

DE ONZE A DOZE MESES

14

– Realiza marcha do urso: sobre mãos e pés;

– Dá alguns passos com apoio;

– Diminuição do reflexo de preensão;

– Compreende e obedece algumas ordens;

– Estende os braços quando está sendo vestida;

– Aponta.

Utilizando este guia, podemos identificar onde estão os atrasos e quais estímulos serão necessários para a criança alcançar o máximo de seu potencial.

Obrigada pela visita, e até a próxima!

Anúncios

Avaliando Componentes Cognitivos

Por que a cognição é tão importante num processo de reabilitação?

Quando mensuramos o grau de desempenho do nosso paciente, percebemos que as questões cognitivas influenciam diretamente em sua capacidade de cuidar de si mesmo. Antes de darmos continuidade, vale lembrar que o nosso sistema cognitivo é composto por diversas habilidades, tais como atenção, memória, função executiva, imagem corporal, orientação de tempo e espaço, linguagem, função visuomotora, função visuoespacial, entre outras. Qualquer alteração em um desses componentes pode interferir no bom desempenho de atividades. Por exemplo: um paciente que apresente déficit de consciência corporal consequentemente vai apresentar dificuldades no vestuário, que é uma atividade de auto cuidado. Portanto, é da função do Terapeuta Ocupacional identificar tais déficits e tratá-los.

Cada função do nosso corpo é comandada por uma parte específica do cérebro. Quando alguém sofre uma lesão, é importante sabermos o que cabe a cada hemisfério cerebral comandar, e investigar onde o paciente sofreu a lesão, para sabermos o que esperar.

1

Hemisfério esquerdo: responsável pela linguagem escrita, linguagem falada, ciências numéricas e controle do hemicorpo direito.

Hemisfério direito: responsável pela visão tridimensional, capacidades musicais, capacidades artísticas e controle do hemicorpo esquerdo.

Para realizar a avaliação, existem diversas possibilidades. Vou abordar algumas delas que nos podem ser muito úteis para identificar componentes cognitivos afetados:

TESTE DO X

2

Este teste evidencia uma possível heminegligência, ou seja, um déficit na consciência e imagem corporal. O teste contém vários traços que o paciente deve transformar em X. A heminegligência estará presente se o paciente riscar apenas os traços de um dos lados do papel.

TESTE DE IDENTIFICAÇÃO DE PARTES DO CORPO

3

É bastante utilizado para testar as noções de lateralidade e imagem corporal. O terapeuta  posiciona-se à frente do paciente e solicita que ele identifique algumas partes do seu corpo, exemplo: “Aponte meu olho esquerdo, aponte minha perna direita, aponte com sua mão direita o meu olho direito, aponte com sua mão direita o meu ombro esquerdo”, e assim por diante.

MINI EXAME DO ESTADO MENTAL

4

O Mini Mental é amplamente utilizado para rastrear alterações cognitivas, e tem uma grande vantagem, que é a pontuação. Cada questão tem um valor de pontos, o que significa que resulta num escore que pode ser utilizado posteriormente como reavaliação e mensuração da recuperação.

Existem várias outras maneiras não padronizadas, mas também muito interessantes para o uso na avaliação, como por exemplo, utilizar álbuns de fotos do próprio paciente e mostrar fotos recentes e antigas para que ele recorde nomes de pessoas e lugares associados; esconder um objeto do paciente no início da avaliação e pedir que ele recorde onde o objeto foi escondido no final; lembrar de um pequeno texto (como uma frase) imediatamente após ser escutado e novamente 15 minutos depois; etc.

Podemos também criar testes funcionais determinando tarefas simples para o paciente, como anotar recados na agenda (exemplo: “o senhor tem uma consulta na clínica na segunda-feira, às 9 horas”), observando se o paciente consegue localizar as datas corretas na agenda, se consegue lembrar-se do recado sem pedir para repeti-lo, se o anota de forma completa.

Tais testes nos permitem observar se o paciente apresenta algum déficit na atenção, na memória, na execução, na função visuomotora, entre vários outros componentes, nos permitindo traçar um plano de tratamento adequado para melhorar significativamente seu desempenho cotidiano.

Obrigada pela visita, e até a próxima!

Confeccionando: Calça de Posicionamento

A calça de posicionamento – ou “Calça da Vovó” – é uma alternativa de baixo custo que podemos utilizar para várias demandas de pacientes.  Ela oferece simetria para um posicionamento correto de cervical e tronco, possibilitando ao paciente um bom alcance visual, otimização dos movimentos de membros superiores e prevenção de deformidades.

Nós só precisamos de:

01

Uma calça jeans, de preferência do tamanho  42 pra cima.

02

Retalhos de espuma, que podem ser comprados em uma loja de espumas. Se você tiver um colchão casca de ovo que não for mais utilizar, pode desfazê-lo.

03

E os materiais básicos: linha e agulha.

São apenas quatro passos para fazermos a calça básica, e você pode acrescentar diversos estímulos posteriormente.

04

O primeiro passo é fechar as pernas da calça costurando com ponto chuleado (aquele ponto em espiral).

05

Depois, rechear a calça inteira com os retalhos de espuma, caprichando bem para ficar firme.

06

Costurar a parte do zíper, para não ter perigo do paciente abrir e o recheio escapar.

07

E, por último, costurar com ponto chuleado a abertura maior da calça, que fica na cintura.

Depois de finalizar a calça, você pode – como comentei anteriormente – acrescentar alguns estímulos para o paciente realizar ATIVIDADES. Uma ideia interessante é acrescentar estímulos táteis, texturas diferentes na extensão das pernas da calça; ou acrescentar bolsos com surpresas dentro, ou velcros para fixar objetos e outros brinquedos.

A calça pode ser utilizada de várias maneiras:

08

A maneira tradicional, com o paciente em decúbito dorsal, onde a região cervical fica posicionada no meio das duas pernas da calça. Se você disponibilizar de um coxim triangular, pode posicionar a calça apoiada no coxim para elevar o tronco do paciente e favorecer a utilização dos membros superiores.

09

Com o paciente em decúbito lateral, com a cervical apoiada na divisão entre as duas pernas da calça, interagindo com os estímulos acrescentados em uma das pernas. Este posicionamento é interessante para trabalhar com pacientes que apresentam hemiparesia, estimulando a utilização do lado parético.

10

Com o paciente em decúbito ventral, com o peito apoiado no quadril da calça e os membros superiores à frente para facilitar a realização de atividades.

A calça pode ser utilizada para vários tipos de pacientes e durante várias atividades, sejam lúdicas ou básicas de auto cuidado, como o momento da alimentação, onde a cabeça deve ser bem posicionada para favorecer a mastigação e a deglutição. É uma ótima ferramenta para utilizarmos em nossos atendimentos de Terapia Ocupacional e para orientarmos a confecção e utilização em casa, pelos pais e cuidadores.

Espero que tenham gostado.

Obrigada pela visita, e até a próxima!

Método de Bandagem Funcional Therapy Taping na Terapia Ocupacional

Quem é que já não ouviu falar sobre bandagem funcional e seus diferentes métodos de aplicação?

01

A bandagem funcional é feita de tecido elástico, e após a aplicação, permanece aderida à pele fornecendo estímulos terapêuticos 24 horas por dia. O método Therapy Taping, criado pelo fisioterapeuta Nelson Morini Junior, considera o conceito de estimulação tegumentar como forma de obter melhores respostas motoras. E é sobre este método que falaremos hoje, aqui no Reabilitando com Terapia Ocupacional, uma vez que seus ótimos resultados podem contribuir para a funcionalidade do nosso paciente.

Nem sempre nós consideramos a importância do nosso órgão mais externo: a PELE. Nossa pele é dotada de diversos tipos de receptores, que enviam o estímulo ao cérebro para que este seja identificado e uma resposta motora seja enviada. Assim, com este método, nós investimos na sensação tátil para obtermos reações na motricidade e na consciência corporal do paciente.

Utilizando a bandagem, conseguimos promover um estímulo sensorial através da pele que auxilia o sistema nervoso a identificar a estrutura muscular a ser trabalhada. Desta forma, o paciente consegue realizar os movimentos da forma correta, contraindo ou relaxando a musculatura escolhida pelo terapeuta, de acordo com o tipo de aplicação e da localização do ponto fixo e do(s) ponto(s) móvel(is) da bandagem.

1

Na Terapia Ocupacional, podemos utiliza-la com o objetivo de aumentar a funcionalidade tanto em pacientes neurológicos como ortopédicos. A aplicação do tipo luva, por exemplo, pode promover a estimulação sensorial na extremidade do membro superior parético, aumentando a consciência corporal e a participação deste membro na realização de atividades.

Foto-0214

Outra aplicação interessante para a nossa intervenção é na região da cintura escapular. Uma das grandes demandas da Terapia Ocupacional é de pacientes que sofreram um Acidente Vascular Encefálico com consequente hemiparesia em um dos lados do corpo. Tal hemiparesia causa dores na região do ombro afetado, devido à flacidez e ao próprio peso do membro superior, que mantém os ligamentos constantemente alongados. A bandagem pode ser uma grande aliada no processo de reabilitação do membro superior parético, condicionando o sistema nervoso a enviar respostas de força reativa à força exercida pela bandagem e facilitando a contração muscular e o retorno dos movimentos de forma ativa.

Foto-0215

Da mesma forma, podemos utilizar a bandagem em pacientes ortopédicos, e em vários outros casos. Os benefícios da utilização da bandagem são inúmeros, tais como:

– diminuição da pressão entre os ossos em processos de artrose;

– estabilização de articulações;

– diminuição de dor;

– drenagem de regiões edemaciadas;

– relaxamento muscular;

– correção postural;

– facilitação do movimento muscular em casos de paralisia ou paresia;

– etc.

Como Terapeutas Ocupacionais, podemos investir na utilização da bandagem funcional para potencializar as capacidades do nosso paciente, atingindo com mais facilidade e rapidez os nossos objetivos.

Obrigada pela visita, e até a próxima!

“Quero ser Terapeuta Ocupacional”

Preparei para o dia de hoje uma postagem muito especial, na qual trabalhei por alguns meses. Trata-se de uma historia em quadrinhos que explica um pouco da nossa atuação, e eu a dedico a todos nós, profissionais de Terapia Ocupacional, e também àqueles que um dia o serão.

Aproveito a época dos vestibulares para tentar alcançar os estudantes que ainda não se decidiram, ou que não conhecem a TO. Aqui está uma oportunidade para conhecer mais uma opção e, quem sabe, a escolherem.

Gosto de descrever a Terapia Ocupacional como a terapia da ocupação, onde nossas ocupações mais básicas são as nossas atividades de auto-cuidado (alimentação, higiene, vestuário, comunicação, locomoção), passando pelas atividades de cuidado com a casa e atividades externas, como as profissionais / de estudo e as de lazer. Qualquer pessoa que apresente dificuldade em realizar quaisquer dessas atividades devido a algum tipo de limitação deve procurar um profissional de Terapia Ocupacional, pois a atividade é o nosso foco.

Espero que gostem!

 

Feliz dia do Terapeuta Ocupacional!

Obrigada pela visita, e até a próxima.

Guia de alongamento para Membros Superiores

Os membros superiores são responsáveis por grande parte das nossas Atividades Diárias. Mas o esforço repetitivo e as tensões do nosso cotidiano, tanto doméstico quanto profissional, podem ser responsáveis por nos causar dores musculares, desgaste ósseo e muitas outras complicações.

Recentemente, atendi uma paciente cuja ocupação profissional exigia tanto esforço repetitivo e por tanto tempo, que ela começou a apresentar desgaste articular na região da cintura escapular, teve rompimento do ligamento do ombro esquerdo, hérnia cervical com consequente cervicobraquialgia, tendinite, micropontos de necrose e desgaste ósseo. Após realizar cirurgias nos dois ombros, houve encurtamento do tendão e até hoje ela apresenta quadro álgico intenso, o que prejudica suas atividades diárias, como estender a roupa no varal, alcançar objetos que estejam localizados em locais altos, carregar objetos pesados, entre outras coisas. Pensando nisso, desenvolvi para ela um guia de alongamento diário contendo 15 exercícios de fácil execução, que vão ajudá-la a alongar os tendões encurtados e relaxar os músculos.

Este guia pode – e deve! – ser utilizado por todos que realizam esforços repetitivos em seu cotidiano, com o objetivo de evitar as lesões articulares, relaxar a musculatura, aumentar a flexibilidade e fortalecer os ligamentos e tendões. Portanto, segue a publicação:

1

1 – Levantar o braço e dobrar o cotovelo, mantendo a mão atrás do pescoço. Com a outra mão, empurrar o cotovelo. O mesmo exercício pode ser realizado com a ajuda de um lenço, sendo que o braço que vai por cima deve ser puxado pelo lenço pelo braço que está por baixo. A intenção no sentido da força é que as duas mãos se encontrem nas costas. Realizar dos dois lados, por 10 segundos.

2

2 – Estender o braço lateralmente até encostar a mão na parede e girar o corpo de forma que o braço seja forçado para trás. Realizar dos dois lados, por 10 segundos.

3

3 – Apoiar as duas mãos na parede à frente e forçar o tronco para baixo durante 10 segundos.

4

4 – Manter  a coluna reta, estender um dos braços na direção contrária e, com o outro braço, puxá-lo em direção ao ombro. Realizar dos dois lados, por 10 segundos.

5

5 – Semelhante ao anterior, mas desta vez com o braço que está sendo alongado dobrado, a mão atrás do pescoço. Realizar dos dois lados, por 5 segundos.

6

6 – Manter a coluna reta e girar os ombros no sentido horário por 5 segundos. Trocar o sentido e realizar por mais 5 segundos.

7

7 – Manter a coluna reta e erguer os ombros ao máximo, com a intenção de tocá-los nas orelhas. Repetir o movimento 5 vezes, lentamente, levantando e abaixando em seguida no máximo da amplitude.

8

8 – Com a coluna reta, segurar as duas mãos nas costas para manter os ombros imobilizados e inclinar o pescoço para o lado durante 5 segundos. Trocar lentamente de lado, e permanecer por mais 5 segundos.

9

9 – Entrelaçar os dedos à frente do corpo e estender os braços no máximo da amplitude. Realizar a força no sentido de separar as escápulas, durante 5 segundos.

10

10 – Continuação do exercício anterior, erguendo os braços já estendidos com os dedos entrelaçados e as palmas das mãos viradas para fora. Permanecer por 5 segundos.

11

11 – Continuação da sequência, juntar as palmas das mãos de forma que os braços fiquem cruzados para cima. Permanecer por 5 segundos.

12

12 – Entrelaçar os dedos com os braços posicionados atrás do corpo, palmas da mão viradas para fora, e realizar a força no sentido de erguer os braços. Permanecer por 5 segundos.

13

13 – Com as pernas separadas e os joelhos levemente flexionados, manter uma das mãos na cintura e levar a outra por cima da cabeça no sentido contrário, alongando a região do tronco. Realizar dos dois lados, por 5 segundos.

14

14 – Mesma posição do exercício anterior, mas desta vez, a mão que antes estava na cintura vai puxar a outra, alongando a região do tronco. Realizar dos dois lados, por 5 segundos.

15

15 – Último exercício da série: estender ao mesmo tempo os dois braços, fazendo forças contrárias, um para cima e outro para baixo, no limite da amplitude. Realizar dos dois lados, mantendo por 5 segundos.

Lembrem-se de que essa sequência deve ser realizada diariamente, antes da realização de exercícios, e de forma lenta.

Obrigada pela visita, e até a próxima!

Adução de polegar: evitando e corrigindo

A funcionalidade é uma das prioridades da Terapia Ocupacional, e uma das estruturas que mais otimizam a nossa funcionalidade são as nossas mãos. E o que nos diferencia dos outros animais, exceto o macaco, é a nossa capacidade de realizar a oponência do polegar e os diversos tipos de preensões, que permitem todas as nossas atividades diárias: pentear os cabelos, escrever, colocar a chave na fechadura, entre tantas outras coisas. Mas e se a amplitude de movimento do polegar impedi-lo de alcançar a sua plena funcionalidade?

A adução do polegar pode ser causada por diversas patologias ou lesões neurológicas e ortopédicas, mantendo o polegar numa posição disfuncional.

1

Dependendo da gravidade, o polegar também pode ficar empalmado, o que dificulta ainda mais a utilização da mão como um todo.

2

Assim, o Terapeuta Ocupacional pode buscar várias formas alternativas para corrigir este posicionamento e aumentar a amplitude de movimento, reabilitando e inserindo a mão afetada nas atividades do dia a dia.

A maneira mais tradicional para realizar esta correção é confeccionando uma órtese. O termomoldável tem a vantagem de ficar maleável em temperaturas não tão altas, o que nos permite moldá-lo diretamente na mão do paciente. Um dos meus modelos de preferência é o da Barra em C, pois conforme vamos ganhando amplitude, podemos aquecer apenas a barra e acrescentar um pouco mais de pressão até adquirir a amplitude total.

3

Podemos contar também com outros modelos, e temos sempre possibilidades de inovar conforme as necessidades apresentadas pelo paciente.

4

Como o termomoldável é um material de custo elevado, temos outras opções que também podem auxiliar no ganho de amplitude do polegar. Uma delas é a faixa em 8, que pode ser confeccionada com uma atadura, com uma tira de tecido e até com EVA reforçado.

5

Todas as opções já citadas são funcionais, ou seja, o paciente consegue utilizar a mão mesmo quando está utilizando a órtese. Podemos adaptar outros materiais quando o paciente estiver em repouso, utilizando rolinhos de toalha presos com uma alça em volta da mão,ou qualquer outro material cilíndrico que não promova desconforto, como manopla de bicicleta.

6

A órtese é importante para ganhar amplitude de movimento, mas além da amplitude, não podemos nos esquecer de acrescentar exercícios de fortalecimento da musculatura abdutora do polegar, que podem ser feitos com massa ou elástico:

6

3

Desta forma, nós, como Terapeutas Ocupacionais, vamos potencializar as funções da mão e permitir que o nosso paciente com queixa de polegar aduzido apresente melhora na amplitude de movimento, nas preensões e, posteriormente, em todas as suas Atividades Cotidianas.

Obrigada pela visita, e até a próxima!

Entradas Mais Antigas Anteriores Próxima Entradas mais recentes