Confeccionando: Calça de Posicionamento

A calça de posicionamento – ou “Calça da Vovó” – é uma alternativa de baixo custo que podemos utilizar para várias demandas de pacientes.  Ela oferece simetria para um posicionamento correto de cervical e tronco, possibilitando ao paciente um bom alcance visual, otimização dos movimentos de membros superiores e prevenção de deformidades.

Nós só precisamos de:

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Uma calça jeans, de preferência do tamanho  42 pra cima.

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Retalhos de espuma, que podem ser comprados em uma loja de espumas. Se você tiver um colchão casca de ovo que não for mais utilizar, pode desfazê-lo.

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E os materiais básicos: linha e agulha.

São apenas quatro passos para fazermos a calça básica, e você pode acrescentar diversos estímulos posteriormente.

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O primeiro passo é fechar as pernas da calça costurando com ponto chuleado (aquele ponto em espiral).

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Depois, rechear a calça inteira com os retalhos de espuma, caprichando bem para ficar firme.

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Costurar a parte do zíper, para não ter perigo do paciente abrir e o recheio escapar.

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E, por último, costurar com ponto chuleado a abertura maior da calça, que fica na cintura.

Depois de finalizar a calça, você pode – como comentei anteriormente – acrescentar alguns estímulos para o paciente realizar ATIVIDADES. Uma ideia interessante é acrescentar estímulos táteis, texturas diferentes na extensão das pernas da calça; ou acrescentar bolsos com surpresas dentro, ou velcros para fixar objetos e outros brinquedos.

A calça pode ser utilizada de várias maneiras:

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A maneira tradicional, com o paciente em decúbito dorsal, onde a região cervical fica posicionada no meio das duas pernas da calça. Se você disponibilizar de um coxim triangular, pode posicionar a calça apoiada no coxim para elevar o tronco do paciente e favorecer a utilização dos membros superiores.

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Com o paciente em decúbito lateral, com a cervical apoiada na divisão entre as duas pernas da calça, interagindo com os estímulos acrescentados em uma das pernas. Este posicionamento é interessante para trabalhar com pacientes que apresentam hemiparesia, estimulando a utilização do lado parético.

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Com o paciente em decúbito ventral, com o peito apoiado no quadril da calça e os membros superiores à frente para facilitar a realização de atividades.

A calça pode ser utilizada para vários tipos de pacientes e durante várias atividades, sejam lúdicas ou básicas de auto cuidado, como o momento da alimentação, onde a cabeça deve ser bem posicionada para favorecer a mastigação e a deglutição. É uma ótima ferramenta para utilizarmos em nossos atendimentos de Terapia Ocupacional e para orientarmos a confecção e utilização em casa, pelos pais e cuidadores.

Espero que tenham gostado.

Obrigada pela visita, e até a próxima!

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Confeccionando: Filtro dos Sonhos

O filtro dos sonhos é um artefato indígena, cuja lenda conta que as energias desarmônicas geradas da guerra entre duas tribos estavam resultando em pesadelos para as crianças. Assim, o xamã de uma das tribos levou penas e pedras como oferendas aos Grandes Espíritos, pedindo orientação para sanar o problema. Foi enviado o espírito da Aranha, que utilizando um aro de cipó, teceu uma teia em seu interior, enquanto falava sobre os ciclos da vida entre o nascimento e a morte, e sobre a influência que têm as boas e más energias em cada uma dessas fases. Ao terminar, a Aranha prendeu ao filtro as penas e pedras, com o objetivo de prenderem as más energias, deixando passar apenas as boas.

O xamã retornou à sua aldeia e prendeu o filtro dos sonhos na entrada das ocas. E assim, os pesadelos acabaram, e os habitantes da aldeia, guiados pelas energias harmônicas, restabeleceram a paz com a outra tribo.

Considero a confecção do filtro dos sonhos uma atividade com vários significados. Podemos trabalhar desde saúde mental (o filtro não deixa de ser uma mandala), reabilitação física (coordenação motora fina, força muscular) e até reabilitação cognitiva (atenção, concentração, sequenciação), entre outras coisas, dependendo da demanda do nosso paciente.

Vamos aprender a fazer, então?

Os materiais necessários são:

011 – Durex,

2 – Pulseiras de ferro (ou argolas de cortina),

3 – Sisal,

024 – Tesoura,

5 – Penas coloridas,

6 – Pedras,

037 – Linhas coloridas,

8 – Agulha tamanho grande,

9 – Miçangas (opcional).

Passo a passo:

01.

Se você escolher fazer o filtro dos sonhos utilizando a pulseira, o primeiro passo é adicionar o sisal à ela, colando-o com fita adesiva. Isso o deixará mais grossinho, e com a circunferência irregular. Se optar pela argola de cortina, não há necessidade de adicionar o sisal, pois ela já é grossinha, e ficará com um aspecto mais retinho.

02.

Escolha uma linha colorida para fazer o arco. Forme uma alça com um nozinho, e o prenda ao arco. Será a alça que utilizaremos para pendurá-lo.

03.

Agora, vamos enrolar a linha por toda a extensão do arco, colorindo-o.

04.

Escolha outra cor de linha para fazer a teia do centro – ou utilize a mesma, se preferir.  Nós vamos utilizar a agulha grande numa das pontas, você pode amarrar com um nozinho simples, pois ela só nos ajudará a passar pelos espaços mais apertados. O começo é bem simples: amarre a linha com um nó duplo logo abaixo da alça, conforme mostra a foto 2. E então vamos começar com o pontinho, ele passará por trás do arco e voltará passando por dentro do espaço que se formou – como se estivéssemos desenhando uma letra E de mão, minúscula, como mostra a foto 4. Continue fazendo os pontos, até completar o arco, atento para que o espaço entre cada um seja igual, e faça-os de forma firme, para que a teia não fique frouxa.

05.

Depois de completar o arco, o ponto seguinte será feito da mesma forma, ou seja, formando uma letra E de mão minúscula, só que desta vez o ponto será feito na linha que usamos para completar o arco, formando um segundo círculo por dentro. Puxe-os bem para que fiquem firmes e bonitos. Continue até chegar ao centro da teia.

06.

Agora, se você optar por utilizar as miçangas, é aqui que elas entram. Se você preferir não utilizá-las, basta dar um nó para finalizar. Se não, o ponto é o mesmo, mas antes de dá-lo, nós vamos acrescentar uma miçanga. Antes de cada ponto, vai uma miçanga, até que se complete o círculo. Dê um nó e corte o excesso de linha. O filtro está pronto, agora vamos prender as pedras e a pena.

07.

Separe quatro pedaços de linha de aproximadamente 1,3m cada. Prenda cada um deles de forma que fique exatamente abaixo da alça para pendurar. Para prender, dobre cada um ao meio, forme uma alcinha e passe as duas pontas por dentro do aro do filtro e da alcinha formada pelo fio, como mostra as fotos 2 e 3.

08.

Agora, vou tentar dar uma breve explicação de como se faz o ponto de macramê, acredito que seja o mais bonito para confeccionar no filtro dos sonhos – mas nada que impeça quem prefira fazer uma trança. De qualquer forma, utilize as quatro linhas dobradas ao meio, ok? Vamos lá. Como dobramos ao meio, teremos 8 fios. Deixe quatro fios no meio, parados, e dois de cada lado, separados, como mostra a foto 1. Escolha um dos lados e faça um triângulo, de forma que os dois fios passem por cima dos quatro que estão no meio (foto 2). Agora, passe os dois fios do outro lado por cima dos fios do triângulo (foto 3) e dê um laço passando a ponta por baixo dos quatro fios do centro e saindo por dentro do triângulo (foto 4). Na foto 5, o primeiro ponto já foi feito. Agora, a mesma coisa, só que começando pelos dois fios DO OUTRO LADO. Nós vamos alternando, então ATENÇÃO, não perca qual foi o último lado que deu o primeiro passo, pois no próximo tem que ser o do outro lado. Mesma coisa, vá repetindo até que os pontos tenham mais ou menos três ou quatro dedos (foto 11). Finalize com um nó.

09.

Muita atenção, esta é a parte mais complicadinha. Faremos a redinha que vai prender a pedra. Para isso, vamos separar as linhas em duplinhas e fazer um nó duplo em cada duplinha (fotos 1 e 2). Com os quatro nós feitos (foto 3), vamos pegar um dos fios de uma dupla e fazer um novo nó duplo com outro fio da dupla do lado (fotos 4 e 5), não apertando o nó tão grudado no anterior, pois tem que formar uma pequena rede. Vamos fazer isso com cada dupla, ou seja, separá-las formando novas. Vá testando com a pedra, como na foto 7, para ver se os nós são o suficiente, e quando a cobrirem por inteiro, feche a rede com um nó (foto 8) e utilize os fios para repetir o procedimento do macramê, com mais uns dois ou três dedos de comprimento – não dê o nó ao finalizar.

*A pedido de um visitante, fiz um vídeo com uma explicação mais detalhada do ponto da rede, segue o link:

http://www.youtube.com/watch?v=mAPJ-hl-RtU

10.

Para prender a pena, basta posicionar seu cabinho junto com as linhas do meio do macramê e continuar os pontos até cobri-lo por inteiro. Para finalizar, pode ser dado um nó na parte de trás, e uma dica é colocar um pinguinho de cola para evitar que o nó se desfaça, ou que o fio se desfie.

Prontinho, agora é só pendurar!

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Espero que tenham gostado, e até a próxima!

Confeccionando: Cubo de AVD

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O cubo de AVD é um instrumento muito utilizado pelo Terapeuta Ocupacional. Trata-se de um cubo de tecido, onde cada face oferece um tipo de fecho diferente. Podemos utilizá-lo para treinar o vestuário com todos os tipos de pacientes que estejam apresentando alguma dificuldade nesta área devido a alguma limitação, trabalhando função bimanual, troca de dominância, coordenação motora, percepção de cores, números, entre outras coisas.

No mercado, este cubo custa em média 70 reais. Podemos confeccioná-lo gastando menos de 30. Vamos tentar?

Materiais necessários:

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Como fazer:


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Primeiro de tudo, vamos traçar no feltro o desenho de seis quadrados (foto 1). Eu utilizei a medida de 20x20cm. Depois, é só recortar (foto 2). No final, teremos seis quadrados de cores diferentes (foto 3).

02

Os botões: vamos costurá-los nesta posição (foto 1). Depois, com faixas de feltro de outra cor, vamos marcar as posições dos botões (foto 2) para cortarmos as casinhas (foto 3). Reparem a foto da DICA que eu inseri. Como o feltro não é um tecido tão forte, podemos utilizar a cola artesanal para obter uma fixação mais efetiva antes de costurarmos. Assim, após colarmos a faixa de feltro como uma aba, costuramos por cima, com pontos simples, alinhavados (foto 4), fica um acabamento bonito (foto 5).

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A parte dos zíperes é simples, após colar as bordinhas com a cola artesanal, é só alinhavar (foto 1) e já está pronto (foto 2).

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Para a face que contém os fechos, utilizaremos as fitas, costurando-as para prender os dois lados de cada fecho (foto 1), e depois costurando-as no quadrado de feltro (foto 2). Para o fecho de cinto, podemos já utilizar a fita com ilhós.

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Para fazer o tênis, vamos recortar um pedaço de feltro no formato de uma palmilha (foto 1), e desta palmilha, recortar as laterais do tênis e a parte que contorna o calcanhar (foto 2). Utilizando outro pedaço de feltro da mesma cor, recortamos a língua (foto 3). Agora, vamos colar o ilhós nas laterais do tênis e furar o feltro que ficou por baixo (foto 4). Eu utilizei uma agulha bem grossa, mas podemos utilizar palitos de churrasco ou qualquer objeto pontudo. Agora, é só costurar o tênis todo num feltro de outra cor (foto 5) e recortar, colando tudo na face do cubo e passando o cadarço (foto 6).

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Agora, o velcro. Vamos costurar as tiras de velcro em duas faixas de feltro de cor diferente da face (foto 2), e recortá-las num formato diferente, costurando-as na face como duas abas unidas pelo velcro (foto 3). Preguei alguns botões de bichinhos no centro (foto 4), pode ficar à escolha.

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Utilizando os colchetes, vamos costurar cada componente num lado da fita de cetim (fotos 1 e 2) e pregá-la à face. Na mesma face, vamos pregar um dos componentes do botão de pressão (foto 3), e o outro na ponta da fita (foto 4). Repetimos o processo no outro lado da face (fotos 5 e 6).

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Agora, é só costurar uma face na outra. Eu utilizei o ponto caseado, aqui está um link do youtube ensinando a fazê-lo, é bem simples:

http://www.youtube.com/watch?v=FZ-CFlSU2xM

Para facilitar, também costurei primeiramente os quatro lados de uma face só (fotos 1-4), depois fui juntando com as faces adjacentes (fotos 5 e 6).

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Para finalizar, antes de fechar as duas últimas faces, adicionamos o máximo de fibra de enchimento que couber e fechamos.

Prontinho! Já temos um instrumento multifuncional para treinamento de vestuário e de vários componentes de desempenho dos nossos pacientes.

Espero que gostem, até a próxima!