Desenvolvimento motor e perceptivo – da primeira semana ao primeiro ano de vida

Quando pensamos em Terapia Ocupacional, sabemos que o foco da atuação é a independência cotidiana. Queremos que os nossos pacientes sejam capazes de alimentar-se, vestir-se, locomover-se, comunicar-se e higienizar-se com autonomia, e para isso nós reforçamos todos os componentes de desempenho que estão defasados ou construímos adaptações que facilitem a realização das atividades.

E os pacientes pediátricos?

Quando estamos tratando de bebês, não temos como esperar que eles realizem as Atividades de Vida Diária de forma independente, pois nem o seu estágio de desenvolvimento permite isso. Portanto, a avaliação e atuação da Terapia Ocupacional visa estimular a criança a atingir o potencial e as capacidades esperadas para sua idade.

Um paciente pediátrico chega para a Terapia Ocupacional por apresentar atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Tal atraso pode estar presente por diversos motivos: prematuridade, muito tempo de internação após o nascimento, patologias como Paralisia Cerebral, Síndromes, Autismo, entre outras.

O bebê se desenvolve de acordo com a sua interação com o próprio corpo e com o ambiente que o cerca. Se, por algum motivo, tal interação for comprometida (como o fato da criança ter algum déficit motor ou de ter limitação ambiental devido à internação), ocorre atraso no desenvolvimento típico, e o papel do Terapeuta Ocupacional é encontrar o que está atrasado, por que o atraso está ocorrendo e qual o tipo de estimulação que deve ser feita para que esta criança alcance o padrão.

Baseada na Tabela do Desenvolvimento Motor e Perceptivo da Britta Holle, construí este guia para avaliação do padrão infantil. Espero que gostem!

PRIMEIRA SEMANA DE VIDA

– O bebê não possui controle cervical;

– Todas as articulações mantém-se flexionadas, com as mãos fechadas e presença de movimentos reflexos;

– Movimentos em bloco: quando a cabeça é virada passivamente, o tronco inteiro acompanha;

– Presença de reflexo de apoio e de marcha, ambos sem sustentar o próprio peso;

– Presença do reflexo de Babinski: quando se bate com firmeza na sola do pé, os dedos fazem abdução;

– Presença do reflexo de preensão:  quando se coloca o dedo na palma da mão do bebê, ele o aperta de imediato e com força;

– Presença do reflexo de busca: ao estimular a bochecha, boca ou lábio com o dedo, a cabeça vira em direção ao estímulo, a boca se abre e a língua se projeta;

– Presença do reflexo de sucção: quando se toca suavemente na boca ou no céu da boca do bebê, ele começa a sugar;

– Presença do reflexo de retração:  retração de MMSS e MMII com ruído alto;

– Movimentos oculares descoordenados em todas as direções;

– Reação a sons altos.

SEGUNDA SEMANA

– Em decúbito ventral, apresenta pequena sustentação da cabeça;

– Reação à luz difusa;

– Sucção dos dedos;

– Reação a estímulos de direções definidas (luz, sons).

DE DUAS A SEIS SEMANAS

– Presença do reflexo tônico cervical assimétrico: em decúbito dorsal, se a cabeça do bebê for virada passivamente para o lado direito, MSD e MID se estendem, enquanto MSE e MIE do lado contralateral se flexionam;

– Capacidade de focalizar brevemente os olhos da mãe;

– Produção de sons guturais;

– Reação a sons suaves próximos;

– Presença de 3 a 4 evacuações diárias.

DE SEIS A OITO SEMANAS

4

– Inicia coordenação ocular, focalizando objetos e pessoas brevemente;

– Presença de sorriso;

– Reação à voz da mãe.

DE DOIS A TRÊS MESES

5

– Início da aquisição de controle cervical, erguendo a cabeça a 45 graus quando colocado em decúbito ventral;

– A mão pode ser aberta passivamente;

– É capaz de pegar objetos que toquem sua mão;

– Acompanha objetos próximos com o olhar;

– Aumento de expressões faciais.

DE TRÊS A QUATRO MESES

6

– É capaz de erguer a cabeça a 90 graus quando colocado em decúbito ventral;

– Quando erguida passivamente da posição deitada para sentada, a cabeça se levanta;

– Diminuição do reflexo tônico cervical assimétrico;

– Apoia-se sobre os antebraços, mantendo cotovelos e dedos flexionados;

– Mantém as mãos abertas, produz movimentos simultâneos com as mãos;

– Presença de risos;

– Pode ser alimentado com alimentos pastosos;

– Exploração das próprias mãos;

– É capaz de pegar um objeto pequeno com uma mão;

– Acompanha com o olhar objeto que se desloca em movimento circular;

– Procura alcançar objetos.

DE QUATRO A CINCO MESES

7

– Quando mantida na vertical, a criança sustenta parte do peso;

– Manipula objetos com as duas mãos simultaneamente;

– Leva objetos à boca;

– Inicia ingestão de alimentos mais sólidos.

DE CINCO A SEIS MESES

8

– Quando em decúbito ventral, apoia-se sobre os braços e as mãos estendidos;

– Rola sozinha de frente para trás;

– Quando mantida na vertical, tenta saltar e mantém-se nas pontas dos dedos;

– Transfere objetos de uma mão para a outra;

– Aumenta exploração do próprio corpo;

– Diminuição dos reflexos de busca e sucção;

– Mantém atenção nas conversas;

– Percebe a própria distância em relação aos objetos.

DE SEIS A SETE MESES

9

– Controle cervical;

– Rola sozinha de trás para a frente;

– Bate com os objetos na mesa;

– Demonstra interesse nos objetos;

– Mastigação;

– Sorri para a sua própria imagem no espelho.

DE SETE A OITO MESES

10

– Presença do reflexo de pára-quedas: extensão de MMSS quando há perigo de queda;

– Senta por um breve período;

– Sustenta o próprio peso quando colocado na posição ortostática e realiza movimentos de marcha;

– Segura dois objetos ao mesmo tempo;

– Atira objetos no chão, procurando-os após caírem;

– Presença dos primeiros dentes;

– Repetição de sons;

– Coloca os dedos dos pés na boca.

DE OITO A NOVE MESES

11

– Posição de cócoras, apoiando-se nos MMSS;

– Controle de tronco em sedestação;

– Presença de preensão em pinça;

– Leva o alimento à boca (biscoitos);

– Compreende uma palavra isolada;

– Estende os braços para ser carregada;

– Encontra objeto escondido debaixo de um pano.

DE NOVE A DEZ MESES

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– Avança para frente em sedestação;

– É capaz de passar da posição deitada (supina) para sentada;

– Permanece na posição ortostática com apoio;

– Reconhece objetos;

– Imita alguns sons;

– Compreende algumas palavras.

DE DEZ A ONZE MESES

13

– Permanece sobre os quatro membros na posição de gato;

– Engatinha sobre mãos e joelhos;

– Consegue se transferir da posição sentada para deitada;

– Levanta-se segurando na mobília;

– Primeiros sinais da articulação de palavras.

DE ONZE A DOZE MESES

14

– Realiza marcha do urso: sobre mãos e pés;

– Dá alguns passos com apoio;

– Diminuição do reflexo de preensão;

– Compreende e obedece algumas ordens;

– Estende os braços quando está sendo vestida;

– Aponta.

Utilizando este guia, podemos identificar onde estão os atrasos e quais estímulos serão necessários para a criança alcançar o máximo de seu potencial.

Obrigada pela visita, e até a próxima!

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8 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Maria Isabel
    jan 04, 2014 @ 13:13:51

    Adorei, vai me ajudar bastante.

    Responder

  2. Giselle Almeida de Queiroz
    jan 04, 2014 @ 16:39:16

    Sou estudante de Terapia Ocupacional e adorei a explicação!…

    Responder

  3. Maria isabelle
    fev 03, 2014 @ 17:57:20

    Amei, presisamos sempre esta informada e p isso é bom recordar esse e outros dicas de Terapia p n esquercermos dos métodos.

    Responder

  4. Márcia
    set 08, 2014 @ 10:26:21

    Adorei essa e muitas outras informações,afinal é muito importante estar antenado e sempre compreender que a cada dia estamos abertos a aprender e fazer novas descobertas .Não conhecia esse método e hoje acredito ser base para os futuros terapeutas Ocupacionais,considero como uma forma de despertar uma visão holística de ser e uma forma de transformar o Terapeuta Ocupacional em um ser mais completo ,como profissional e humano.

    Responder

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