Guia de alongamento para Membros Superiores

Os membros superiores são responsáveis por grande parte das nossas Atividades Diárias. Mas o esforço repetitivo e as tensões do nosso cotidiano, tanto doméstico quanto profissional, podem ser responsáveis por nos causar dores musculares, desgaste ósseo e muitas outras complicações.

Recentemente, atendi uma paciente cuja ocupação profissional exigia tanto esforço repetitivo e por tanto tempo, que ela começou a apresentar desgaste articular na região da cintura escapular, teve rompimento do ligamento do ombro esquerdo, hérnia cervical com consequente cervicobraquialgia, tendinite, micropontos de necrose e desgaste ósseo. Após realizar cirurgias nos dois ombros, houve encurtamento do tendão e até hoje ela apresenta quadro álgico intenso, o que prejudica suas atividades diárias, como estender a roupa no varal, alcançar objetos que estejam localizados em locais altos, carregar objetos pesados, entre outras coisas. Pensando nisso, desenvolvi para ela um guia de alongamento diário contendo 15 exercícios de fácil execução, que vão ajudá-la a alongar os tendões encurtados e relaxar os músculos.

Este guia pode – e deve! – ser utilizado por todos que realizam esforços repetitivos em seu cotidiano, com o objetivo de evitar as lesões articulares, relaxar a musculatura, aumentar a flexibilidade e fortalecer os ligamentos e tendões. Portanto, segue a publicação:

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1 – Levantar o braço e dobrar o cotovelo, mantendo a mão atrás do pescoço. Com a outra mão, empurrar o cotovelo. O mesmo exercício pode ser realizado com a ajuda de um lenço, sendo que o braço que vai por cima deve ser puxado pelo lenço pelo braço que está por baixo. A intenção no sentido da força é que as duas mãos se encontrem nas costas. Realizar dos dois lados, por 10 segundos.

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2 – Estender o braço lateralmente até encostar a mão na parede e girar o corpo de forma que o braço seja forçado para trás. Realizar dos dois lados, por 10 segundos.

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3 – Apoiar as duas mãos na parede à frente e forçar o tronco para baixo durante 10 segundos.

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4 – Manter  a coluna reta, estender um dos braços na direção contrária e, com o outro braço, puxá-lo em direção ao ombro. Realizar dos dois lados, por 10 segundos.

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5 – Semelhante ao anterior, mas desta vez com o braço que está sendo alongado dobrado, a mão atrás do pescoço. Realizar dos dois lados, por 5 segundos.

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6 – Manter a coluna reta e girar os ombros no sentido horário por 5 segundos. Trocar o sentido e realizar por mais 5 segundos.

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7 – Manter a coluna reta e erguer os ombros ao máximo, com a intenção de tocá-los nas orelhas. Repetir o movimento 5 vezes, lentamente, levantando e abaixando em seguida no máximo da amplitude.

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8 – Com a coluna reta, segurar as duas mãos nas costas para manter os ombros imobilizados e inclinar o pescoço para o lado durante 5 segundos. Trocar lentamente de lado, e permanecer por mais 5 segundos.

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9 – Entrelaçar os dedos à frente do corpo e estender os braços no máximo da amplitude. Realizar a força no sentido de separar as escápulas, durante 5 segundos.

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10 – Continuação do exercício anterior, erguendo os braços já estendidos com os dedos entrelaçados e as palmas das mãos viradas para fora. Permanecer por 5 segundos.

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11 – Continuação da sequência, juntar as palmas das mãos de forma que os braços fiquem cruzados para cima. Permanecer por 5 segundos.

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12 – Entrelaçar os dedos com os braços posicionados atrás do corpo, palmas da mão viradas para fora, e realizar a força no sentido de erguer os braços. Permanecer por 5 segundos.

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13 – Com as pernas separadas e os joelhos levemente flexionados, manter uma das mãos na cintura e levar a outra por cima da cabeça no sentido contrário, alongando a região do tronco. Realizar dos dois lados, por 5 segundos.

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14 – Mesma posição do exercício anterior, mas desta vez, a mão que antes estava na cintura vai puxar a outra, alongando a região do tronco. Realizar dos dois lados, por 5 segundos.

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15 – Último exercício da série: estender ao mesmo tempo os dois braços, fazendo forças contrárias, um para cima e outro para baixo, no limite da amplitude. Realizar dos dois lados, mantendo por 5 segundos.

Lembrem-se de que essa sequência deve ser realizada diariamente, antes da realização de exercícios, e de forma lenta.

Obrigada pela visita, e até a próxima!

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Adução de polegar: evitando e corrigindo

A funcionalidade é uma das prioridades da Terapia Ocupacional, e uma das estruturas que mais otimizam a nossa funcionalidade são as nossas mãos. E o que nos diferencia dos outros animais, exceto o macaco, é a nossa capacidade de realizar a oponência do polegar e os diversos tipos de preensões, que permitem todas as nossas atividades diárias: pentear os cabelos, escrever, colocar a chave na fechadura, entre tantas outras coisas. Mas e se a amplitude de movimento do polegar impedi-lo de alcançar a sua plena funcionalidade?

A adução do polegar pode ser causada por diversas patologias ou lesões neurológicas e ortopédicas, mantendo o polegar numa posição disfuncional.

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Dependendo da gravidade, o polegar também pode ficar empalmado, o que dificulta ainda mais a utilização da mão como um todo.

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Assim, o Terapeuta Ocupacional pode buscar várias formas alternativas para corrigir este posicionamento e aumentar a amplitude de movimento, reabilitando e inserindo a mão afetada nas atividades do dia a dia.

A maneira mais tradicional para realizar esta correção é confeccionando uma órtese. O termomoldável tem a vantagem de ficar maleável em temperaturas não tão altas, o que nos permite moldá-lo diretamente na mão do paciente. Um dos meus modelos de preferência é o da Barra em C, pois conforme vamos ganhando amplitude, podemos aquecer apenas a barra e acrescentar um pouco mais de pressão até adquirir a amplitude total.

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Podemos contar também com outros modelos, e temos sempre possibilidades de inovar conforme as necessidades apresentadas pelo paciente.

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Como o termomoldável é um material de custo elevado, temos outras opções que também podem auxiliar no ganho de amplitude do polegar. Uma delas é a faixa em 8, que pode ser confeccionada com uma atadura, com uma tira de tecido e até com EVA reforçado.

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Todas as opções já citadas são funcionais, ou seja, o paciente consegue utilizar a mão mesmo quando está utilizando a órtese. Podemos adaptar outros materiais quando o paciente estiver em repouso, utilizando rolinhos de toalha presos com uma alça em volta da mão,ou qualquer outro material cilíndrico que não promova desconforto, como manopla de bicicleta.

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A órtese é importante para ganhar amplitude de movimento, mas além da amplitude, não podemos nos esquecer de acrescentar exercícios de fortalecimento da musculatura abdutora do polegar, que podem ser feitos com massa ou elástico:

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Desta forma, nós, como Terapeutas Ocupacionais, vamos potencializar as funções da mão e permitir que o nosso paciente com queixa de polegar aduzido apresente melhora na amplitude de movimento, nas preensões e, posteriormente, em todas as suas Atividades Cotidianas.

Obrigada pela visita, e até a próxima!