Posicionamento e Mobilização do Paciente Hemiparético

Algo que observo bastante nos cuidadores e familiares de pacientes que tornam-se hemparéticos é a dificuldade e preocupação quanto à maneira correta de realizar as transferências e posicionamentos, uma vez que agora só contam com metade do corpo realizando movimentação ativa.

Cabe também ao Terapeuta Ocupacional orientar os cuidadores e responsáveis pelos nossos pacientes quanto a isso, uma vez que dependendo de como mobilizamos este paciente, podemos:

1-) Evitar úlceras por pressão,

2-) Manter o paciente confortável,

3-) Evitar pequenos traumas na coluna do paciente, e na nossa também,

4-) Estimular a funcionalidade, e

5-) Manter a simetria, prevenindo dores musculares devido a postura incorreta.

Primeiramente, é importante que todos os estímulos venham de encontro ao lado afetado, para trabalhar a consciência corporal, a associação e a parte sensorial que encontra-se diminuída. Como estímulos, compreendemos pessoas que conversam com o paciente, televisão, rádio, móveis, objetos a serem oferecidos, entre outras coisas.

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POSICIONAMENTOS

Quando mantemos o nosso paciente em decúbito dorsal, devemos nos atentar à simetria dos ombros, posicionando dois ou três travesseiros de forma a manter a cabeça centralizada. Um travesseiro também deve ser utilizado para manter o membro superior afetado ligeiramente mais alto do que o resto do corpo, favorecendo a circulação e evitando edema.

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Em decúbito lateral, no caso do lado parético ficar voltado para baixo, devemos sempre manter o membro superior à frente, em cima de um travesseiro para favorecer a circulação. O membro inferior afetado deve ficar estendido, e o membro inferior saudável flexionado e sobre um travesseiro ou almofada, para não pressionar o afetado. É interessante posicionar um rolo de posicionamento ou um travesseiro um pouco maior nas costas do paciente, evitando que ele role e saia da posição.

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Em decúbito lateral, no caso do lado parético ficar voltado para cima, a posição será semelhante à anterior, com o cuidado de manter todo o lado afetado ligeiramente flexionado e sobre travesseiros. Atente-se também à cabeça: ela nunca deve ficar tombada para trás.

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Quando o paciente estiver em sedestação, ele sempre deve estar em simetria. O lado parético deve ficar na mesma posição do lado saudável, mantendo a coluna na linha média. Um travesseiro de posicionamento também é indicado, bem como estimular o paciente a posicionar com autonomia o lado afetado.

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TRANSFERÊNCIAS

Para realizarmos a transferência, devemos seguir uma sequência de passos, que começará com a lateralização do paciente, a transferência do decúbito lateral para a sedestação, e da sedestação para a posição ortostática.

Existem várias alternativas para a lateralização. Qualquer uma delas pode ser utilizada, é interessante que o cuidador experimente todas, para verificar qual é mais confortável para ele e para o paciente.

Nós sempre utilizaremos as grandes articulações, como as cinturas escapular e pélvica, joelhos e tornozelos; pois estas permitem que o paciente seja mobilizado em bloco. Chamamos estas articulações como pontos-chave de controle.

Lateralização – Alternativa 1

Oriente o paciente a proteger o membro superior afetado com o saudável, de forma a imobilizá-lo durante a lateralização. Na figura, sugiro duas alternativas para que o punho mantenha-se protegido. O cuidador se manterá do lado do hemicorpo saudável e utilizará como pontos-chave o quadril e o tornozelo do hemicorpo afetado, puxando-os em sua direção.

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Lateralização – Alternativa 2

O cuidador deve manter-se do lado do hemicorpo afetado, flexionando o joelho do paciente, pois este será utilizado como ponto-chave de controle, junto com o quadril. Solicite ao paciente que se apoie no hemicorpo saudável e erga os quadris, como no exercício de ponte. Quando ele erguer os quadris, lateralize-o de forma que o joelho seja puxado em sua direção e o quadril empurrado na direção contrária.

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Lateralização – Alternativa 3

Posicione-se do lado do hemicorpo saudável e utilize como pontos-chave de controle as cinturas escapular e pélvica do lado do hemicorpo afetado. Nunca mobilize no paciente pelas axilas, mas sim pelo ombro. Puxe o hemicorpo afetado em sua direção.

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Lateralização – Alternativa 4

Mantenha-se do lado do hemicorpo afetado e oriente o paciente a segurar com o membro superior saudável em seu ombro. Flexione o joelho afetado e utilize-o como ponto-chave de controle junto à cintura escapular, puxando o joelho em sua direção e empurrando o ombro do hemicorpo afetado na direção contrária, para que fique por baixo do outro.

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Passando do Decúbito Lateral para a Sedestação

Após lateralizar o paciente, vamos auxiliá-lo a sentar. Utilizaremos como pontos-chave os joelhos e a cintura escapular: passe a mão por baixo do braço do paciente, posicionando-a por trás do ombro. O movimento será simultâneo, puxando os joelhos para a borda da cama ao mesmo tempo em que se ergue o tronco através do ombro. Sempre solicite ajuda por parte do paciente, estimulando a sua funcionalidade e controle de tronco.

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Antes de passarmos da sedestação para a posição ortostática, verifique se o paciente está com os pés encostados no chão. Se não estiver, devemos auxiliá-lo a deslizar para frente. Se for um paciente com bom controle de tronco, ele pode fazer isso sozinho, protegendo o membro superior afetado e impulsionando o quadril para frente alternando o lado esquerdo e direito. Se for um paciente sem muito controle, oriente-o a proteger o membro superior afetado e utilize seu quadril como ponto-chave, orientando-o a auxiliá-lo, fazendo força para impulsionar-se para frente.

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Passando da Sedestação para a Posição Ortostática

São duas as alternativas sugeridas para que estimulemos o nosso paciente a obter mais controle de tronco com o objetivo de aumentar a sua funcionalidade. Podemos posicionar um banco na frente do paciente enquanto este ainda está em sedestação, orientando-o a apoiar os membros superiores durante a transferência de posições, diminuindo a sua insegurança de cair para frente. Ele deverá ajudar a impulsionar os joelhos, e o cuidador utilizará como pontos-chave de controle o joelho e o quadril, empurrando o joelho para trás e o quadril ao mesmo tempo para cima e para frente.

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A outra alternativa é posicionar-se em frente ao paciente, de forma a ficar com o joelho de frente para o dele. Oriente-o e auxilie-o a segurar o membro superior afetado por trás de seus ombros, e puxe seu quadril para cima e para frente, ao mesmo tempo em que, com o seu joelho, empurra o joelho do paciente para trás.

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E lembre-se sempre de manter a cadeira de rodas, de banho, ou a outra superfície para onde o paciente será transferido ao lado e de forma perpendicular à superfície de onde ele está sendo retirado. Após levantá-lo para a posição ortostática, basta lateralizá-lo – também através dos quadris – e abaixá-lo suavemente para a outra cadeira.

Espero ter ajudado com as dicas, obrigada pela visita e até a próxima!

 

 

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6 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Isabel Teixeira
    mar 30, 2013 @ 17:42:31

    Excelente material! Parabéns!

    Responder

  2. Carol
    abr 30, 2013 @ 10:58:05

    Excelente Post Mel!!!

    Responder

  3. Cecilia Biesemeyer
    jul 14, 2014 @ 22:28:22

    Olá Melina,
    Quando o paciente estiver deitado sobre o lado hemiplégico, sugiro que não coloque o MS hemi sobre um travesseiro. Você promoverá mais adução do ombro hemi.
    Um ponto importante é que neste decúbito ele deve deitar sobre a escápula e não sobre a articulação gleno-umeral. Quando fizer o giro de decúbito dorsal para decúbito lateral hemi, solicite que ele eleve um pouco os MMSS e só depois faça o giro. É uma dica para que ele já fique em decúbito lateral sobre a escápula.

    Outra sugestão é evitar que ele coloque o MS hemi sobre seu ombro quando passar de sentado para em pé. O Ms hemi pode cair e essa é uma das causas mais freqüentes de dor no ombro.
    Abçs, Cecilia TO

    Responder

  4. CATARINA
    jun 09, 2017 @ 11:56:27

    O que quer dizer com “MS”?

    Responder

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