A Terapia Ocupacional e o Terapeuta Canino

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O Terapeuta Ocupacional é um profissional que não tem limites em suas estratégias de tratamento. É por isso que faz parte da nossa entrevista com o paciente pesquisar seus gostos, seus interesses, seus hobbies e tudo o que lhe agrada. Quando estamos na escola e apresentamos dificuldades em matemática, por exemplo, não temos nem vontade de chegar perto dos exercícios, pois não temos interesse em fazer o que consideramos difícil. Em contrapartida, se gostamos de português, apresentamos um bom desempenho nas aulas, temos interesse no que há para aprender e conseguimos boas notas nas provas. Nossos interesses tem influência direta no nosso desempenho, e o bom da Terapia Ocupacional é que, geralmente, podemos incluir os interesses dos pacientes em suas atividades direcionadas, tornando o momento prazeroso e obtendo melhores resultados, uma vez que estaremos trabalhando justamente algo em que ele apresente dificuldade.

E o que o cachorro tem a ver com isso?

Não são poucos os pacientes que possuem cachorros, ou que gostam deles. Assim, o Terapeuta Ocupacional pode utilizá-lo como recurso terapêutico para trabalhar demandas físicas, cognitivas, psíquicas, sociais, sensoriais, e assim por diante. É preciso sempre adaptar a atividade para que esta se torne terapêutica e significativa para o tratamento do paciente.

Assim, como grande amante de cachorros, comecei a pesquisar a respeito de seu papel terapêutico quando estava no terceiro ano da faculdade e descobri várias informações interessantes:

– Pessoas que convivem com cães têm a pressão arterial mais regular e níveis melhores de colesterol e triglicérides que as demais pessoas;

– A presença de cães diminui a incidência de depressão em idosos por aumentar a produção de endorfina, e aumenta a sobrevida de vítimas do infarto do miocárdio;

– A convivência de crianças com cães diminui a incidência de asma e rinite alérgica;

– Pessoas autistas conseguem desenvolver sua interatividade com a ajuda dos cães;

– Entre muitos outros benefícios.

Os cães terapeutas devem ser devidamente adestrados e limpos para participar dos tratamentos. Os resultados da introdução do co-terapeuta canino costumam ser muito positivos, e podemos explorá-los de diversas formas para desenvolver habilidades em nossos pacientes:

– Habilidades físicas: coordenação motora, função bimanual, amplitude de movimento, força muscular, treino de marcha ortostática e outros componentes de desempenho motores podem ser estimulados com atividades como pentear o pelo do cachorro, prender laços, jogar a bola ou o brinquedo para que ele busque, levá-lo passear, carregá-lo, alimentá-lo, entre outras;

-Habilidades cognitivas: atenção, memória, orientação temporal, orientação espacial, organização e associações podem ser trabalhadas com os cuidados do cão, estabelecimento de horários para sua alimentação e passeio, comparação de tamanhos, cores e partes do corpo de cães diferentes, estabelecimento de limites de espaço para sua circulação na residência, pesquisa sobre as características das raças, e assim por diante;

– Habilidades psíquicas: auto-estima, motivação e carência afetiva, por exemplo, podem ser estimuladas pela presença e aceitação por parte do cachorro;

– Habilidades sensoriais: sensibilidade tátil, percepção visual e audição podem ser explorados nas sensações entre os diferentes tipos de pelos, cores e latidos;

– Habilidades sociais: interação com o meio ambiente, responsabilidade e cuidado com o próximo são também desempenhos adquiridos ao conviver com um cachorro, além de aproximar pessoas que também partilham desta mesma paixão!

Assim, o Terapeuta Ocupacional pode explorar sua criatividade na prescrição de atividades, dependendo do que precisa ser estimulado. O importante é auxiliar nossos pacientes a atingir a sua máxima capacidade!

Obrigada pela visita, e até a próxima!

O que é a Terapia Ocupacional, e como cheguei a ela

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Seja bem-vindo ao Reabilitando com Terapia Ocupacional!

Meu nome é Melina, e sou Terapeuta Ocupacional atuante no segmento de Home Care em São Paulo e Grande São Paulo.

Por sugestão de uma paciente, criei este site com o objetivo de divulgar a profissão e o meu trabalho dentro dela. Afinal, ainda é muito comum para nós, terapeutas ocupacionais, escutarmos: Mas o que é Terapia Ocupacional? O que você faz? É como a fisioterapia?

As pessoas têm muitas dúvidas acerca do papel deste profissional, e cabe à nós divulgarmos a profissão, ajudando-a a crescer e se fazer conhecida e reconhecida. Algo que eu sempre me pergunto é: por que quando estamos no Ensino Médio, que é a época em que começamos a decidir o caminho profissional que vamos seguir, ninguém tem nem ideia que a Terapia Ocupacional existe? Todos sabemos o que é Medicina, Direito, Administração, Psicologia, Publicidade… Mas Terapia Ocupacional? O que é isso?

Vamos lá: a Terapia Ocupacional é uma profissão da área da saúde cujo principal foco é a Disfunção Ocupacional, ou seja, a incapacidade de um indivíduo em realizar atividades que ele considere importantes. Os motivos desta incapacidade podem ser de ordem física, cognitiva, sensorial, perceptual, mental ou social, e o terapeuta ocupacional, após a avaliação e a identificação dos componentes de desempenho afetados, traçará um plano de tratamento que os estimulará, de forma a favorecer a autonomia e independência de seus pacientes.

Na área em que eu trabalho, é muito comum que os pacientes apresentem dificuldades nas chamadas Atividades de Vida Diária, ou AVDs. Elas são compostas pela alimentação, vestuário, banho, eliminações fisiológicas, administração medicamentosa, locomoção e comunicação. Para nós, que não temos nenhuma disfunção ocupacional, essas atividades podem parecer banais e até nos passar despercebidas, mas imagine fazer tudo isso independentemente com apenas um hemicorpo funcional, ou tendo uma deficiência visual?

Além das AVDs, temos também as nossas Atividades Instrumentais de Vida Diária. São elas: preparação de comidas, arrumação da casa, limpeza, compras, administração das finanças, e assim sucessivamente. Temos Atividades Sociais, como as nossas relações com os familiares e com o meio social, Atividades Profissionais, que dizem respeito ao nosso trabalho e a todas as funções que nele exercemos, e por fim, mas não menos importantes, as Atividades de Lazer.

Para conseguirmos realizar todas essas atividades, nós precisamos que nossos sistemas motor, cognitivo, sensorial e perceptual estejam funcionando corretamente (além de estarmos inseridos num contexto ambiental, social e cultural favoráveis para a realização destas). Cada um desses sistemas é formado por diversos componentes de desempenho. O sistema motor, por exemplo, é formado pela amplitude de movimento, a força muscular, a coordenação motora, o padrão postural, equilíbrio de tronco, tônus, entre outros. Já o sistema cognitivo pela atenção, memória, orientação temporal, orientação espacial, sequência lógica, raciocínio, lateralidade, etc. Numa avaliação de Terapia Ocupacional, os componentes desses quatro sistemas serão avaliados, para que se consiga identificar as dificuldades e traçar um plano de tratamento adequado.

E como é realizado o tratamento em Terapia Ocupacional? Através de ATIVIDADES. O Terapeuta Ocupacional fará um estudo aprofundado do caso de cada paciente, e prescreverá atividades direcionadas, que estimularão os componentes de desempenho defasados, objetivando a melhora clínica e, é claro, o alcance da independência!

E no caso de prognósticos não favoráveis? Vamos supor que haja pouca probabilidade de melhora clínica na condição de um paciente. Qual a intervenção, neste caso? O Terapeuta Ocupacional realizará adaptações que facilitem a realização das atividades de forma mais autônoma possível. E foi isso que me chamou a atenção nesta profissão.

Vou finalizar este primeiro post contando como conheci o curso. Quem também é Terapeuta Ocupacional talvez se identifique, pois uma grande parte de nós acabou tomando conhecimento da profissão ao acaso. Exceto quando criança – que eu sonhava ser escritora -, eu sempre quis seguir a área da saúde. No Ensino Médio, frequentei várias palestras sobre cursos na saúde, e quando prestei vestibular, escolhi a Fisioterapia. Estava no período entre o resultado do vestibular e a realização da matrícula, quando passei na frente da televisão e vi que estava passando uma reportagem sobre crianças com lesões neurológicas que não conseguiam realizar suas atividades, e utilizavam adaptações para fixar a escova de dentes, colher ou o lápis na mão. Achei espetacular, e continuei assistindo para ver que tipo de profissional era responsável por aquilo. Quem deu a entrevista foi uma Terapeuta Ocupacional, e eu mais do que imediatamente anotei e pesquisei a respeito do curso e quais faculdades o ofereciam. Coincidentemente e felizmente, a faculdade para a qual eu havia prestado o vestibular oferecia, e eu liguei logo no dia seguinte perguntando se havia a possibilidade de mudar de curso. Como o curso de Fisioterapia tinha lista de espera e o de Terapia Ocupacional ainda estava com vagas disponíveis, eu pude trocar.

Me formei nesta profissão que considero maravilhosa, e hoje vejo que eu não poderia ter feito outra coisa. Espero, com este site, poder contribuir para que a Terapia Ocupacional alcance os estudantes que prestarão vestibular e não conhecem, os pacientes que talvez precisem e não conheçam, os profissionais que busquem compartilhar ideias e experiências… Que ela alcance os que devem ser alcançados.

Obrigada pela visita, e sinta-se à vontade para fazer perguntas, comentários e sugestões!